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Quinta-feira, Janeiro 29, 2004
* Matéria publicada no Jornal "O Globo" SEGUNDO CADERNO
Rio, 29 de janeiro de 2004
Zé Renato e uma certa visão da MPB
Hugo Sukman A despeito de ser o lançamento de seu mais recente disco, Minha praia (Biscoito Fino), ou um recital com algumas das principais canções que compôs e interpretou ao longo da vida, o show que Zé Renato leva no Mistura Fina revela, isto sim, uma certa visão da música brasileira contemporânea. Uma visão que pode se resumir no culto, tão emepebista, da riqueza harmônica e da qualidade poética. Ou melhor, no caso de Zé Renato um cantor e compositor tão comprometido com a expressão contemporânea na crença de que é possível, com esses elementos, seguir adiante na linha evolutiva da MPB. Talvez não por acaso Zé Renato abra o show com Andorinha, canção que resume tal visão: é melódica e harmonicamente riquíssima, letra de Paulo César Pinheiro cuidadosamente simples, de mestre; mas é também uma canção carregada de novidades ao trazer para o idioma da música brasileira uma estrutura de morna cabo-verdiana. (Antes, Ná Ozzetti e Itamar Assumpção já singraram os caminhos da música de Cabo Verde na coladeira Canto em qualquer canto. Mas esta era puramente cabo-verdiana, enquanto Andorinha é antropofagicamente emepebista, uma influência nova). Edu, Milton e samba aparecem como influências Entre o tradicional e o novo, assim são as coisas na visão da música de Zé Renato. Tanto que, em seguida, ele ataca um samba-canção de feição clássica, Algum lugar (sobre letra redonda de Capinam), e um samba todo misturado tão ao gosto da música carioca atual, Na São Sebastião, sobre letra toda fragmentada de Lenine (que, como a de Capinam, é uma ode a uma menina conhecida por acaso na rua). Adiante, como numa síntese entre os dois tipos de samba, vem Fica melhor assim, bossa nova de Zé Renato e Xico Chaves resgatada de 1983 para o novo disco, de invulgar influência jobiniana e letra tão boa (Eu vou você fica/Fica melhor assim/Meu Rio de Janeiro aceso atrás de mim/Os mares são palavras/Que deixo pra você...) que dá pena Xico Chaves ser letrista tão bissexto. Como no disco, o que é ressaltado no show é a faceta de compositor de Zé Renato. Faceta tão rica que pode se dar na revitalização da música rural brasileira (Quem tem a viola), numa parceria com Arnaldo Antunes com melodia que lembra as canções urbanas de Alceu Valença (Insônia) ou em música para teatro com Hamilton Vaz Pereira (Benefício). Mas a tal visão que Zé Renato tem da música brasileira fica ainda mais cristalina nas canções dos outros que escolhe interpretar. E, justamente, o que se vê é a opção pela música de harmonia complexa (mas não hermética) e letra com o padrão de qualidade da música de Noel, Vinicius e Chico. Assim, ele interpreta Outubro, uma das mais ousadas composições da juventude de seu ídolo, Milton Nascimento, lançada em 1967 mas até hoje desconcertante em termos harmônicos e poéticos (na letra de Fernando Brant). Ou redescobre a épica Canudos, de Edu Lobo e Cacaso, do disco Camaleão, de 1978, o primeiro a contar com os vocais do Boca Livre. Sem abusar da extensão vocal Do samba, outra influência na música de Zé Renato que já dedicou discos a Zé Keti (Natural do Rio de Janeiro), Silvio Caldas (Arranha-céu), Chico Buarque e Noel Rosa (Filosofia), à própria produção sambística (Cabô), e dividiu vocais no gênero com Elton Medeiros e Mariana de Moraes (A alegria continua) ele pinça, coerentemente, músicas das mais elaboradas: Folhas no ar (Elton Medeiros e Herminio Bello de Carvalho), Diz que fui por aí (Zé Keti), Pela décima vez, de Noel. Como cantor, Zé Renato está mais comedido, não abusa da extensão vocal, o que confere mais beleza às
interpretações e este comedimento talvez seja a maior lição que o ex-cantor do Boca Livre tomou no intenso mergulho que fez no universo do samba. Claro que, para isso, muito contribui o quarteto de acento brasileiro-jazzístico que o acompanha, sobretudo a guitarra de Ricardo Silveira. Como o bom violão de Zé dá conta do recado na base harmônica, Silveira (que acompanha Zé Renato desde a banda Zil, no fim dos anos 80) fica livre para enriquecer os arranjos com acordes inesperados. Minha praia, o show, faz jus ao título ao expor todo um universo autoral . Mas, mais do que isso, é uma proposta, nada comum hoje em dia, de uma certa estética moderna para a música brasileira.
Fonte: Jornal "O Globo", de 29/01/2004
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Quinta-feira, Janeiro 22, 2004
Hoje, no Jornal "O Globo":
Segundo Caderno
Rio, 22 de janeiro de 2004
Todas as praias de Zé Renato
Ao gravar o CD "Minha praia", Zé Renato pensou em mostrar ao seu público uma porção que ele considera fundamental em sua carreira musical, consolidada por sua atuação como cantor, dono de uma das vozes mais bonitas da música brasileira: ele queria mostrar que também é um compositor de mão-cheia, que nunca deixou de criar letras e melodias durante sua carreira.
Juntou algumas canções antigas como "Ânima", parceria com Milton Nascimento, e "Toada", com Juca Filho e Cláudio Nucci, dos seus tempos de Cantares, seu primeiro grupo antes do Boca Livre, e chamou novos parceiros como o pernambucano Lenine ("Na São Sebastião") e Paulo César Pinheiro ("Andorinha"), além de Arnaldo Antunes ("Insônia").
O resultado primoroso pode ser visto de hoje a sábado e na semana que vem, no Mistura Fina, na Lagoa.
Os shows começam, hoje e amanhã, às 21h30m, e, no sábado, em dois horários, 20h e 23h.
Convidado para fazer a direção geral da temporada de lançamento do CD, Flávio Marinho, de cara, achou que o público rejeitaria um show com a maioria das músicas inéditas. E, curiosamente, seu dilema foi o ponto de partida para a construção de um repertório que perpassa toda a carreira de Zé Renato.
Está ali o compositor, cantor e arranjador vocal do Cantares e do Boca Livre; suas experiências em discos como "Pelo sim, pelo não", feito com Nucci; sua afirmação como um mestre do canto brasileiro nos tributos a Zé Kéti, Sílvio Caldas, Chico Buarque e Noel Rosa; e, por fim, suas composições em excelentes discos autorais como "Cabô" e o atual.
Acompanhado de músicos de primeira linha como o guitarrista Ricardo Silveira, o baixista Rômulo Gomes, o baterista Jurim Moreira e o pianista e acordeonista Chiquinho Chagas, ele vai cantar "Pela décima vez", de Noel Rosa; "Diz que fui por aí", de Zé Kéti, "Cotidiano", de Chico Buarque, "Eu quero é botar meu bloco na rua", de Sérgio Sampaio, e "Canudos", de Edu Lobo e Cacaso, entre outras.
(João Pimentel)
MISTURA FINA
Av. Borges de Medeiros, nº 3.207 - Lagoa -
Rio de Janeiro - RJ
Telefone: (21) 2537 - 2844.
Diariamente, das 12h até o último cliente.
Capacidade: 180 (cento e oitenta) pessoas.
Ar-condicionado.
Manobrista.
* Dias 22, 23, 29 e 30/01/2004 (quintas e sextas) às 21 horas.
* Dias 24 e 31/01/2004 (sextas) às 20 horas e às 23 horas.
R$ 23,00 (às quintas)
R$ 28,00 (às sextas e sábados)
Venham conhecer (e participar!):
Grupo de Discussão sobre o cantor e compositor Zé Renato
Mistura Fina
Seu
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Quinta-feira, Janeiro 15, 2004
SAIU EM CD!!!!!
Pessoal, pra quem ainda não sabia, o "Pelo sim, pelo não", gravado maravilhosamente por Zé Renato e Claudio Nucci, foi relançado em CD.
Vale a pena adquirir, não é mesmo?
;-)
Está à venda no CD Point.
:-)
Beijocas
Luciane
* Vale a pena visitar:
Tavito (lembram de "Rua Ramalhete"?)
Marianna Leporace
Danny Reis
Apá Silvino
Música é Vida!!!
Cantinho da Luluzinha
Seu
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Quinta-feira, Janeiro 08, 2004
"Minha Praia" estréia no Rio de Janeiro, no Mistura Fina! 
Imperdível, né? ;-)
Seu
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Quarta-feira, Janeiro 07, 2004
Gostaria de desejar a todos vocês um 2004 maravilhoso, repleto de saúde, paz, harmonia, música e muito amor!
(o atraso é por conta do difícil trânsito no Blogger)
Que Deus abençoe a todos nós e que sejamos muito felizes!
:-)
Beijocas carinhosas a todos!
Luciane
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